Reflexões de um fim de dia de 2011

(Encontrado hoje, casualmente, no meio das anotações de trabalho)

Hoje, na volta para casa, entrou um palhaço no ônibus. Ridículo…
Aquela figura gorda, suada do excesso de roupas e da peruca de lã tingida de amarelo que era complementada com chapéu ridículo.
Já achei graça do jeito sorridente e bobo de falar, daquele próprio de quem está acostumado com as ruas. Sem mencionar sua calça segura por suspensórios laranja-avermelhado, ornamentada com desenhos de bichos em branco. Ridículo.
Não puder deixar de rir, disfarçadamente, das graças da apresentação, em que falava de seu grupo de espetáculos e shows, e de sua assistente, fictícia, Raquel, que vagava ao seu lado e, agora, também em nossas imaginações. Ridículo.
Foi então que, conclamando o apoio do público que forçosamente o assistia no ônibus, assim como do motorista, que ignorava seus pedidos de piscar a luz do salão do ônibus, o palhaço começa a entoar sua primeira canção. Era um show de voz e violão, observado pela plateia silenciosa. Ridículo.
Em sua performance, o palhaço realiza um sorteio de um brinde, onde acabei obrigado a participar, atendendo seu apelo para falar um número, porém fazendo o possível para mostrar meu desinteresse. Ridículo.
O brinde existia mesmo! Que ridículo!
Já na sua segunda e última canção, um blues dedicado a sua cabra perdida, êis que sua apresentação recebe o acompanhamento, por mim e por muitos do ônibus inesperado, de um passageiro, que arranca gargalhadas e aplausos da plateia. Seu inusitado papel foi de fechar cada refrão da música, em que o palhaço se perguntava do paradeiro de sua querida cabra com um sonoro: Méeee! Ridículo!!!
Cada vez mais pessoas aderiram ao coro que balia entusiasmadamente ao som do refrão cantado pelo palhaço, que gozava da conquista de mais um público na sua carreira de shows de rua. E eu, mais uma vez contido de participar da algazarra, não pude deixar de aplaudir o grande feito daquele palhaço maltrapilho que era agora saudado por todos no coletivo. Ridículo…
Assim, o palhaço conclama seu então parceiro de cantoria a se apresentar à frente do público e o presenteia com um pacote de jujubas pelo seu envolvimento com a performance. Na sequência, passeia pelo corredor do ônibus angariando contribuições para a gravação de seu sonhado CD, onde será gravado, entre outros, o grande sucesso das ruas: “Cadê Minha Cabra”. E eu, já envolvido no clima de descontração e alegria que contagiava o ônibus, fiz minha contribuição com um sorriso no rosto. Ridículo…
Agora, já a um tempo do inusitado episódio ocorrido, ainda estou surpreendido com a forma que aquela maravilhosa figura grotesca transformou a minha viajem, assim como a daquelas pessoas que comigo compartilharam daquela apresentação improvisada. Assim como também me surpreendi com a minha atitude inicial, ignorante e grosseira, para quem só estava ali para fazer o seu trabalho, expressando sua arte. Como fui ridículo!

Publico essa história que ocorreu comigo a um tempo atrás como um alerta aos que ainda estão fechados para a arte e, para prestar uma singela homenagem aos artistas que não povoam os jornais e revistas mas que arrebatam os mais variados públicos com seus trabalhos e suas performances.

Reflexões de um fim de dia de 2011

(Encontrado hoje, casualmente, no meio das anotações de trabalho)

Hoje, na volta para casa, entrou um palhaço no ônibus. Ridículo…
Aquela figura gorda, suada do excesso de roupas e da peruca de lã tingida de amarelo que era complementada com chapéu ridículo.
Já achei graça do jeito sorridente e bobo de falar, daquele próprio de quem está acostumado com as ruas. Sem mencionar sua calça segura por suspensórios laranja-avermelhado, ornamentada com desenhos de bichos em branco. Ridículo.
Não puder deixar de rir, disfarçadamente, das graças da apresentação, em que falava de seu grupo de espetáculos e shows, e de sua assistente, fictícia, Raquel, que vagava ao seu lado e, agora, também em nossas imaginações. Ridículo.
Foi então que, conclamando o apoio do público que forçosamente o assistia no ônibus, assim como do motorista, que ignorava seus pedidos de piscar a luz do salão do ônibus, o palhaço começa a entoar sua primeira canção. Era um show de voz e violão, observado pela plateia silenciosa. Ridículo.
Em sua performance, o palhaço realiza um sorteio de um brinde, onde acabei obrigado a participar, atendendo seu apelo para falar um número, porém fazendo o possível para mostrar meu desinteresse. Ridículo.
O brinde existia mesmo! Que ridículo!
Já na sua segunda e última canção, um blues dedicado a sua cabra perdida, êis que sua apresentação recebe o acompanhamento, por mim e por muitos do ônibus inesperado, de um passageiro, que arranca gargalhadas e aplausos da plateia. Seu inusitado papel foi de fechar cada refrão da música, em que o palhaço se perguntava do paradeiro de sua querida cabra com um sonoro: Méeee! Ridículo!!!
Cada vez mais pessoas aderiram ao coro que balia entusiasmadamente ao som do refrão cantado pelo palhaço, que gozava da conquista de mais um público na sua carreira de shows de rua. E eu, mais uma vez contido de participar da algazarra, não pude deixar de aplaudir o grande feito daquele palhaço maltrapilho que era agora saudado por todos no coletivo. Ridículo…
Assim, o palhaço conclama seu então parceiro de cantoria a se apresentar à frente do público e o presenteia com um pacote de jujubas pelo seu envolvimento com a performance. Na sequência, passeia pelo corredor do ônibus angariando contribuições para a gravação de seu sonhado CD, onde será gravado, entre outros, o grande sucesso das ruas: “Cadê Minha Cabra”. E eu, já envolvido no clima de descontração e alegria que contagiava o ônibus, fiz minha contribuição com um sorriso no rosto. Ridículo…
Agora, já a um tempo do inusitado episódio ocorrido, ainda estou surpreendido com a forma que aquela maravilhosa figura grotesca transformou a minha viajem, assim como a daquelas pessoas que comigo compartilharam daquela apresentação improvisada. Assim como também me surpreendi com a minha atitude inicial, ignorante e grosseira, para quem só estava ali para fazer o seu trabalho, expressando sua arte. Como fui ridículo!

Publico essa história que ocorreu comigo a um tempo atrás como um alerta aos que ainda estão fechados para a arte e, para prestar uma singela homenagem aos artistas que não povoam os jornais e revistas mas que arrebatam os mais variados públicos com seus trabalhos e suas performances.

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